Caso Wallace (31 de maio de 2017)

Fonte: Los Angeles Press
Por Guadalupe Lizarraga
31 de maio de 2016
Tradução: Gabriel B. (originalmente publicado em espanhol 7 de junho de 2014 )

Hugo Alberto Wallace, com rastros de vida no México apesar de sua mãe (segunda parte)

As evidencias sobre o paradeiro de Hugo Alberto Wallace Miranda publicados pelo jornal Los Ángeles Press em 31 de maio  indignaram sua mãe Isabel Miranda Torres: “Que deem provas, não suposições”, escreveu a esta jornalista por meio de sua conta de Twiter @WallaceIsabel e disse ainda pela mesma rede social, desqualificando a informação jornalística: “os delinquentes mentem tanto a si mesmos que acreditam em suas próprias mentiras …” 

No primeiro contato pela mesma conta do Twitter, Miranda anexou a imagem de uma denúncia conta Ámbar Treviño Pérez, que foi advogada da acusada Brenda Quevedo Cruz em 2010. No documento, está indicada a ação penal PGR/SIEDO/UEIS/144/2010 contra Treviño pelos supostos delitos de “falsificação de documentos, falsas declarações em juízo e em relatórios dados a uma autoridade, responsabilidade profissional e delinquência organizada com finalidade de cometer sequestro”

Sob estas acusações, foi expedida uma ordem de prisão contra a advogada Ámbar Treviño, que esteve presa entre 9 de março e 10 de maio de 2010. O Terceiro Juizado do Estado de Durango decidiu pela absolvição das acusações e determinou sua liberdade em 6 de maio de 2010 por meio de ordem (Exhorto Número 67/2010) do Décimo Quinto Juiz de Processos Penais “por falta de elementos para processar Ámbar Treviño pelos ilícitos de falsificação de documentos…”. Isabel Miranda não desconhece a decisão judicial, no entanto, segue utilizando uma denúncia apresentada por ela mesma como prova de “delinquência organizada com finalidade de cometer sequestro” em flagrante calúnia contra a advogada. 

O falso testemunho de Isabel Miranda ante a Corte de Chicago 

Outra das provas que deletaram Isabel Miranda sobre a manipulação do caso Wallace é o crime de falso testemunho cometido contra a Corte de Chicago, Illinois, em 6 de janeiro de 2008, ao apresentar uma carta apócrifa de ausência antecedentes penais de seu filho Hugo Alberto Wallace.

Brenda Quevedo Cruz, refugiada nos Estados Unidos depois da acusação pública de Miranda em 2006, foi localizada e detida na cidade de Louisville, Kentucky em 2008. Os agentes de Imigração a detiveram em um centro de detenção em Chicago, onde ela enfrentou um processo de deportação. Foi quando a Corte de Chicago solicitou o registro de antecedentes criminais tanto da acusada quanto da presumida vítima de sequestro, Hugo Alberto Wallace Miranda.

Quevedo Cruz não possuía antecedentes criminais. Wallace Miranda, no entanto, havia sido processado pelo crime de “contrabando” em 2001. Contudo, o documento apresentado à Corte de Chicago por sua mãe afirmava: 

 “Hugo Alberto Wallace não possui nenhuma investigação preliminar, ordem judicial ou antecedentes criminais por crimes de assuntos locais no gabinete deste Procurador Geral”.

A carta em inglês possuí um logotipo alterado do Governo da Cidade do México e o cabeçalho da Procuradoria Geral da República do México com o número 203/2606/08-10. Incluía supostamente a assinatura do então promotor antissequestro da Procuradoria Geral de Justiça do Distrito Federal, Juan Maya Avilés, que não ocupa mais o cargo.

A Secretaria de Segurança Pública no México é quem realiza os trâmites de consulta a antecedentes penais e, para isso requer a certidão de nascimento, um comprovante de residência recente e o título de eleitor apresentados pelo requerente. De acordo com informação oficial, se o interessado não puder se apresentar, ele pode fazer o trâmite por meio de um familiar desde que tenha uma carta assinada dando-lhe poderes para tanto. Diante da pergunta desta jornalista à funcionária pública que atende tais demandas sobre a possibilidade de se outorgar uma carta de ausência de antecedentes penais a uma pessoa falecida por petição de sua mãe, ela respondeu sem rodeios que não e continuou: “A menos que seja um órgão que o solicite a nosso órgão, isto é, que se mande um ofício escrito a secretaria” – e reiterou – “uma solicitação de um órgão a outro, são casos especiais que não são negados”. 

– Pode um promotor (da promotoria) Antissequestros assinar uma carta de ausência de antecedentes penais, supondo que se fez uma solicitação de um órgão a outro? –  perguntou a jornalista.

– Não, de nenhuma maneira. Nenhum promotor está autorizado a assinar estes documentos, somente os diretores e, em sua ausência, os subdiretores – respondeu a funcionária.

– Tenho uma cópia de uma carta de ausência de antecedentes criminais apresentada em uma corte dos Estados unidos, assinada por um promotor (da promotoria) Antissequestros, com um carimbo da Cidade do México e um cabeçalho da Procuradoria Geral da República do México. A carta é de 2008. Isso é possível? Isto é, poderia ser legal?

– Não é possível. Repito, nenhum promotor assinar cartas de ausência de antecedentes penais, isso não é uma política nova, é nosso regulamento. Além disso, estamos sujeitos à Secretaria de Governo (SEGOB), não ao Governo da Cidade do México. A carta de ausência de antecedentes criminais é expedida pela Secretaria de Segurança Pública e elas recebem um carimbo da Secretaria de Governo.

A explicação da funcionária coincidiu com a informação da página oficial da Procuradoria Geral da República do México (PGR): “A Procuradoria Geral da República não expede cartas de ausência de antecedentes criminais, já que estas são solicitadas à Secretaria de Governo, através da Comissão Nacional de Segurança, Órgão Administrativo Descentralizado de Prevenção e Readaptação Social”.

O governo mexicano, por meio do agente do Ministério Público Jesús Andrés Hernández López, desmentiu Isabel Miranda e apresentou uma declaração juramentada em apoio à petição de extradição de Hugo Alberto Wallace Miranda. Neste documento, fez-se referência à ordem de prisão do juiz do Décimo Terceiro Distrito de Procedimentos Penais Federais no caso 196/2001. Em sua declaração, disse o agente que Wallace foi liberado sob fiança no valor de 14.665 pesos mexicanos, o equivalente a 1.173 dólares americanos.

De acordo com os argumentos da defesa de Quevedo Cruz no processo de deportação, realizada pelo advogado Stanley J. Horn e pelo escritório de advogados no qual ele então trabalhava, “Horn, Khalaf, Abuzir, Mitchell & Schmitd”, o governo mexicano não forneceu evidências suficientes de que seu clientes houvera participado no suposto crime, resultando “questionável a veracidade das confissões” dos acusados que haviam tentado retratar-se.

“De fato, a evidência fornecida pelo governo – assinalou Horn em declaração de oito páginas –  junto com as explicações da acusada são radicalmente diferentes. A falta de evidências do governo é ainda mais questionável baseada na informação fornecida por Quevedo Cruz que demonstra uma alta probabilidade de que a suposta vítima esteja viva, incluindo os registros telefônicos, e-mails e testemunhos…”. A defesa de Quevedo concluiu que, caso sua cliente seja deportada, seria torturada no México para obrigarem-na a incriminar-se. Tal como sucedeu, ainda que não tenha sido acusada até o momento, sofreu tortura e violência sexual de seus agressores em 27 de novembro de 2009 e em 13 de outubro de 2010.

O marido de Isabel Miranda, sem comparecer

A evidência mais contundente para Isabel Miranda Torres foi o teste de DNA obtido a partir de um fio de cabelo e de uma gota de sangue encontrados no apartamento Perugino número 6, suposto lugar do crime, que corresponde ao de seu companheiro José Enrique del Socorro Wallace Díaz. No entanto, uma segunda certidão de nascimento divulgada na primeira parte desta reportagem revela que ele não é o pai biológico de Hugo Alberto. Enrique Wallace foi citado para prestar depoimento várias vezes, porém sua esposa, Isabel Miranda, respondeu ao juiz do Décimo Sexto Distrito de Procedimentos Penais em 9 de novembro de 2006 que não tinha contato com ele e que desconhecia seu paradeiro.

“… me permito informar-lhe que desconheço onde possa ser localizado José Enrique del Socorro Wallace Díaz em virtude de que, por questões pessoais, familiares e de segurança, nos separamos de mútuo acordo. Isso se deveu a problemas derivados do sequestro de nosso filho Hugo Alberto Wallace Miranda. Por isso, atualmente não vivo com ele e desconheço onde possa ser localizado”.

Posteriormente, Isabel Miranda e Enrique Wallace foram vistos juntos em diferentes ocasiões e eventos sociais. Um deles foi em 15 de dezembro de 2011, que se tratava de uma festa de aniversário de um alto funcionário, cujo evento teve a participação do Mariachi (músico) da Secretaria de Marinha. Inclusive, na campanha política de Miranda, quando este aspirava à chefia do Governo do Distrito Federal em 2012, Enrique Wallace acompanhou sua esposa em vários eventos políticos. Contudo, desde 2006 até esta data ele não foi obrigado a apresentar-se ao Ministério Público para responder à solicitação do órgão.

En Evento Social de 2011
En la campaña a la jefatura de Gobierno en 2012. Foto: red

O torturador das confianças de Isabel Miranda

Dois dos acusados identificaram o agente do Ministério Público Oswaldo Jiménez Juárez como seu torturador: Brenda Quevedo Cruz e Jacobo Table Dobín. A defesa de Quevedo apresentou recurso contra Jiménez Juárez ante a Procuradoria Geral da República do México com o oficio AP/411/AP/DGDCSP/11. Neste documento, reclamou-se da indiferença da autoridade na investigação do funcionário mencionado como agressor de Quevedo Cruz e se adicionou um comentário do diretor criminal dirigido a Quevedo pela tortura recebida em 27 de novembro de 2009.

Fragmento imagen de texto

Na recente audiência pública de 5 de março de 2014 no Décimo Sexto Juizado Federal de Processos Federais, presidido pelo juiz Raúl Ângulo Garrías, para a acareação entre Brenda Quevedo Cruz, Jacobo Table Dobín e César Freyre Morales, os três acusados na causa penal 35/2006, estiveram presentes María Isabel Miranda, seu irmão Roberto Miranda, os defensores de ofício, secretário e agente ministerial Oswaldo Jiménez Juárez.

Na acareação, tanto Jacobo Table quanto César Freyre elidiram Brenda Quevedo de toda responsabilidade. Inclusive, confirmaram que ela não conhecia pessoalmente Hugo Alberto Wallace Miranda, somente havia ouvido falar dele. Segundo a análise do advogado especialista da Associação contra Fábrica de Culpados e pela Defesa dos Direitos Humanos Luis Vargas “os pontos mais importantes derivados das perguntas feitas por Brenda Quevedo a Jacobo Table e César Freyre durante a acareação reforçam a hipótese relativa à inocência de Brenda e à fabricação de acusações em seu prejuízo”.

Vargas alega que as declarações dos co-processados que chegaram a incriminar Brenda no início do processo “foram obtidas a base de torturas, maus-tratos, ameaças e instruções, como se pode comprovar pelas provas existentes e pelas declarações da presente acareação”.

Jacobo Table, em sua declaração preparatória, já havia exposto que “foi vítima de tortura física e psicológica, ameaças a sua família e maus-tratos de que foi objeto no CEFERESO de Villa Aldama, estado de Vera Cruz”. César Freyre também manifestou que Brenda não foi partícipe do crime e afirmou haver sido vítima de tortura física e mental, razão pela qual fez uma denúncia ante a Corte Interamericana de Direitos Humanos da OEA por atos de tortura.

Na audiência, era a primeira vez que o agente ministerial Oswaldo Jiménez Juárez lia um documento. Foi quando Jacobo Tagle o escutou falar e o denunciou ante o juiz “como uma das pessoas que o torturou” no centro de detenção de Veracruz.

Áudio: aqui 

Depois desta denúncia, Jacobo Tagle foi transferido em “caráter urgente” ao centro de detenção do Altiplano em Guanajuato por solicitação de José Luis Musi Nahmías, responsável do Órgão Administrativo Descentralizado de Prevenção e Readaptação Social, segundo o ofício SEGOB/OADPRS/20847/2014, com data de 12 de maio. A defesa de Tagle solicitou o motivo da transferência e do confinamento, e a resposta do juiz do Quarto Distrito de Procedimentos Penais Ricardo Garduña Pasten foi que havia sido “por segurança” porque o estavam “perturbando verbalmente” de acordo com o pedido de Musi. A família, por sua parte, declarou à Associação Canadense pelo Direito e pela Verdade que Jacobo Tagle não estava sendo perturbado no centro de detenção como que para sua transferência e seu confinamento fossem decididos com urgência, “Jacobo estava bem”, enfatizou à organização de direitos humanos.

Na imagem, da esquerda para a direita, encontra-se Roberto Miranda (irmão de Isabel Miranda), Oswaldo Jiménez Juárez, Isabel Miranda, o advogado Ricardo Martínez Chávez e o sobrinho de Isabel Miranda. A evidente relação entre Miranda e o agente do Ministério Público identificado como responsável pela tortura de Oswaldo Jiménez Juárez com Miranda, entretanto, não foi investigada pelas autoridades, apesar das denúncias dos acusados e da avaliação psiquiátrica certificada pela Comissão Nacional de Direitos Humanos como Protocolo de Istambul, tanto de Brenda Quevedo quanto de Jacobo Tagle.

Os nascimentos de Isabel Miranda

Isabel Miranda, além de ter várias versões de sua vida, utilizou diferentes nomes pessoais, informou diferentes nomes de pai e diferentes datas de nascimento. Utilizou-os em documentos oficiais, como na certidão de nascimento de seu filho Hugo Alberto Miranda Torres, sob o nome de Isabel Torres e do pai Jacinto Miranda Jaimez, como já se informou na primeira parte desta reportagem. Miranda assinalou, em 1º de junho em sua conta Twitter, que não sabia quem era “Isabel Torres”, porém permaneceu em silêncio quanto ao nome de seu filho de sobrenome Miranda Torres e ao de seu primeiro companheiro de quem se separou após haver registrado seu filho em 1970.

Isabel Miranda – em entrevistas à imprensa – deu, ao menos, quatro datas de nascimento: 1949, 1951 (com datas distintas) e 1955. A CNN, por exemplo, disse que nasceu em 27 de maio de 1951, e assim foi divulgado pela emissora, enquanto que ao El Universal especificou 17 de janeiro de 1951. Porém, nas certidões de nascimento e na carteira de identidade de Hugo Alberto, assim como no livro O caso Wallace (tradução livre), de Martín Moreno, cuja única fonte é ela, coincidem as datas de nascimento de seu filho, isto é, 12 de outubro de 1969. Se ela houvesse nascido em 1951, haveria tido seu filho aos 16 anos, idade em que disse haver casado com Enrique Wallace. A certidão em que Hugo Alberto foi reconhecido como filho de Wallace Díaz foi expedida na data de 19 de novembro de 1975, ano em que nasceu sua filha Claudia e Hugo Alberto tinha seis anos de idade.

Se Isabel Miranda tivesse nascido em 1955, como alegou à TV Azteca e à revista Quién, entre outros meios, e seguindo a fonte de seu biógrafo Martín Moreno, haveria tido seu filho aos doze anos de idade. No entanto, nas certidões de nascimento de seu filho, com os sobrenomes “Wallace Miranda” ela diz ter 24 anos de idade e, na de “Miranda Torres”, 21 anos.

Isabel Miranda também mudou os nomes de seu pai, referindo os nome de Fausto Miranda, Heriberto Miranda e Alberto Torres, usados também em documentos oficiais. No caso da mãe, o primeiro nome foi constante: Mónica, porém variou nos sobrenomes: Torres, Jaimes e Romero.

Quem viu Hugo Alberto Wallace

Sete testemunhas afirmam haver visto Hugo em diferentes datas posteriores ao suposto homicídio. Algumas delas, quando informaram as autoridades judiciais do seu testemunho visual ou de evidencias como ligações telefônicas, mensagens de texto, e-mails, gastos com cartão de crédito no nome dele, foram pressionados por Isabel Miranda e acusados de tentar extorqui-la ou de querer “prejudicar sua família”.

Um destes casos foi o do empresário José Luis Moya, companheiro da melhor amiga de Hugo Alberto em 2005 que, depois de prestar depoimento de maneira contundente às procuradorias federal e do Distrito Federal em 2006, foi acusado publicamente por Isabel Miranda por tentativa de extorsão. Inclusive, foi ameaçado de morte duas horas antes de seu último comparecimento.

Em seu depoimento, Moya afirmou que possuía informação de que Hugo estava vivo:

“(…) que tenho informação que constar estar vivo Hugo Alberto Wallace Miranda e, segundo declaração da senhora Isabel, diz que estou interferindo e tenho informação documental do sequestro, o que é falso, porque não interferi em sua investigação de forma alguma e solicito a esta representação social que acredite com provas a senhora Wallace e suas testemunhas como interferi nesta investigação e contrariamente a suas falsas imputações de extorsão que foram tornadas públicas na televisão e imprensa. Omitiu a senhora informar que antes de sua denúncia já nos havíamos apresentado voluntariamente a duas procuradorias e ao programa de rádio de Ciro Gómez Leyva para nos colocar à disposição das autoridades competentes a fim de contribuir nas investigações e, tanto é assim que, quando recebi as primeiras mensagens de Hugo Alberto, informei por telefone ambas procuradorias e pessoalmente a alguns funcionários; a respeito, declaro que recebi mensagens telefônicas via TELCEL, supostamente de Hugo Wallace, e confirmei a possível autenticidade dos mesmos em um princípio porque lhe fizeram perguntas-chave sobre informações que somente ele e Laura Domínguez poderiam conhecer; e é importante esta representação social da federação notar que antes de ter o suposto contato com Hugo, recebemos informação e documentação de um suposto informante, que também nos informou que Hugo estaria vivo, e no telefone celular 5533337676; Hugo Wallace presumidamente teve várias conversas com Laura”.

Laura Domínguez, amiga muito próxima a Hugo Alberto Wallace de muitos anos, também foi ameaçada por Miranda e não quis voltar a falar no assunto, depois de ela mesmo haver pedido a José Luis Moya que a ajudasse a buscar seu amigo. Quando Moya começou a ter resultados contundentes na investigação e deu a conhecer parte dela em uma entrevista com Ciro Gómez Leyva, Miranda mostrou sua hostilidade ante os que ajudavam na investigação e, pouco depois se converteram em alvo de suas ameaças. Laura Domínguez pediu à defesa dos acusados que não a buscassem mais, porque sua vida estava em perigo.

Outra das pessoas intimadas por Miranda foi o pai biológico de Hugo Alberto, o senhor Jacinto Miranda, quem, em uma reunião privada, enfatizou à defesa dos acusados  “por favor, não me chamem para prestar depoimento, posso contar tudo a vocês, mas não me chamem para prestar depoimento”.  Jacinto Miranda reside atualmente na Baja Califórnia, segundo uma fonte confidencial.

Uma pessoa mais que viu Hugo Alberto com vida foi um informante que, de acordo com o testemunho de vários funcionários públicos, teve contato direto com Isabel Miranda. “El Alfil” é o pseudônimo com que se identificou este que indicou que Hugo Alberto estava vivo. A informação foi entregue à Unidade Especializada em Investigação de Sequestros, neste momento a cargo de Jorge Rosas Carcía, um dos 21 funcionários denunciados em março de 2013 por crimes contra a administração da justiça cometidos no caso da francesa Florence Cassez, abuso de autoridade e exercício indevido do serviço público. A informação de “El Alfil” foi dada em junho de 2012; contudo, em fevereiro de 2007, a declaração havia desaparecido das investigações. Segundo a fonte, nesse ano, havia novas chamadas telefônicas de Hugo Alberto Wallace através de um novo celular e havia provas de avisos de recebimento por parte de Jorge Rosas García enviadas de seu gabinete de Plaza de la República.

Outra pessoa próxima a Hugo Alberto Wallace o reconheceu em um bar em Tres Palos, município de Acapulco. Ao saudá-lo, disse-lhe: “Deixa disso, tua mãe está lucrando com tua morte”. Ao que Wallace respondeu fazendo um clique com a boca: “Ah, minha mãe está louca, por isso nem a vejo”. Depois de tomar algumas cervejas, se despediram e, antes de ir embora, Hugo Alberto o ameaçou de morte se chegasse a mencionar que o havia visto.

Há mais duas testemunhas que tiveram contato com Hugo Alberto Wallace em duas ocasiões depois da data do suposto homicídio. Em meados de julho e na primeira semana de agosto de 2005. Na primeira ocasião, ele dirigia uma caminhonete de cor preta com vidros escuros, acompanhados por mais duas pessoas; e, na segunda, Hugo dirigia uma motocicleta, também acompanhado por duas pessoas. Estas duas testemunhas aceitaram prestar depoimento ante o Ministério Público da Federação e ante qualquer autoridade judicial no México.